sábado, 21 de julho de 2012

Ficam as lições


Teve hoje o seu termo a vida de José Hermano Saraiva.

Homem superior, com um sentido de Pátria digno de admiração, conhecedor e de uma eloquência magnífica.

Tenho dito, há já algum tempo, que é das pessoas que mais admiro e das poucas, pouquíssimas, que há "de jeito" na televisão. Tinha, desde que comecei a interessar-me por História, a ideia tola (revelo-o agora) de um dia vir a conhecê-lo pessoalmente.

Lembro-me (lembramo-nos todos!) de, quando eu era mais novo (e mais recentemente), ver os seus programas e ouvir comentários de pessoas mais velhas como “este homem sabe!” (li algures que não usava teleponto nas gravações); de reparar na forma sui generis de gesticular para a câmara; de ser carinhosamente imitado nos programas de humoristas; de diálogos entre personagens/personalidades das suas histórias relatados em discurso directo e linguagem simples e acessível; das frases, com carácter de opinião, com que terminava o programa, ditas em voz mais baixa e grave; do que dizia nas entrelinhas do seu discurso (dicas para os actuais dirigentes?); das histórias da História - quase insignificantes, meras curiosidades das terras e das gentes, mas que são a alma deste povo – que ele contava…

Os 20 minutos dos seus programas são um verdadeiro tesouro no meio da tanta inutilidade que mina a televisão portuguesa. Vinte minutos com coisas para aprender. Verdadeiros e grandiosos documentários, odes à Pátria. Não são uns documentários quaisquer de um Discovery Channel ou Canal História. Esses tanto servem cá como na China. Os programas do Professor são nossos, e quase só nossos. E mais que lições de História, lições de Vida (sou da opinião que para termos sucesso na preparação do futuro, temos que nos conhecer como povo, e para isso, recorremos ao passado).

Aprendemos com ele que a História é feita de acontecimentos e de heróis, Homens que se destacaram por algo que disseram ou – ainda mais – fizeram. Homens que, se fossem como os demais, não seriam lembrados após o seu ocaso. Mas são. Foram, em alguma coisa, mais que o comum mortal. Chamo-lhes imortais, pois a sua vida é parte activa no Agora, a sua memória perdura para além da morte física. E perdura porque fizeram algo que é raro no ser humano: dedicação e entrega aos seus, por vezes em prejuízo de si próprio. E, na História de um país, “os seus” é a Pátria.

José Hermano Saraiva fê-lo. Foi um Professor de História cuja sala de aula era composta por um país inteiro, durante quatro décadas.

Ele é, sem dúvida, parte da História que nos ensinou.

Ensinou-nos o nosso passado. Ensinou-nos no presente. E quanto ao futuro?

 «Qualquer que seja o Futuro, haverá sempre noites de luar, a serra de Sintra e o Tejo a correr para o mar!»

terça-feira, 10 de julho de 2012

Ai os "jovens", os "jovens"...

Circula por aí este vídeo: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=pgQCUDZCzjs

... Que faz mais sentido se acompanhado por esta notícia: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/portugal/agressao-em-autocarro

Tanta coisa com esta situação, não sei porquê. É andar nos transportes da cidade de Lisboa e seus arredores para ver destas coisas "aos pontapés" ou, se preferirem, "a dar c'um pau" (literalmente, por vezes).

Mas eu cá adoro é a foto que acompanha a notícia do CM, o "jovem" parece mesmo uma vítima, coitadinho. O costume...

Adoro também cada vez que leio uma notícia deste jornal e deparo-me com a palavra "jovem" (nos outros jornais é igual). Lembro-me de há uns anos ler qualquer coisa de o Correio da Manhã ter levado nas orelhas - de uma Autoridadezinha qualquer que regula a trampa da comunicação social que se vai fazendo - por este jornal andar a revelar a raça dos intervenientes nas suas notícias. Parece que havia uns malvados na redacção que cometiam a asneira de informar devidamente. Por essa altura já os outros órgãos de imprensa trocavam as palavras "preto"/"africano"/"negro" por "jovem", mas o CM andava mal-educado e teve que levar o tau-tau. Agora parece que já está nos eixos... do sistema.



Juntando este post com o imediatamente abaixo, com as notícias que leio todos os dias e com o que vou vendo no dia-a-dia, surgem-me umas questões: Não era suposto as zonas apinhadas de imigrantes serem zonas calmas e serenas, sem conflitos, ordeiras e de boa qualidade de vida? Então a imigração e o multiculturalismo não são positivos para o país e sociedade? Não é isso que nos ensinam (injectam) todos os dias, directa ou indirectamente, na televisão, nos jornais, nas revistas, na publicidade, na escola? Como se explica a quantidade de crimes nos concelhos de Lisboa, Oeiras, Sintra, Amadora, Odivelas, Loures, etc? E mais: estes crimes são, na maioria (quase totalidade) dos casos, perpetrados por pretos, ciganada, ou por aqueles brancos que falam aqueles dialectos manhosos dum continente mais meridional.

Bom, são perguntas que toda a gente que vive a realidade destas zonas faz. Mas faz para si, para dentro. Porque não convém abrir muito a boca sobre este assunto. É que se olharmos para a realidade somos racistas (!) e coisas assim muito más e muito feias. Não podemos questionar estas coisas em voz alta. Isso significa que não estamos a seguir a carneirada e estamos a pôr em causa aquilo que o sistema nos impinge. É como era a Igreja há uns séculos (ou nem tanto): há que manter o povinho burro e ignorante, porque se as pessoas começam a pensar por si, isto acaba tudo. Agora é igual, só muda o marionetista.